quinta-feira, 7 de janeiro de 2016




O ARTILHEIRO ESQUECIDO.

Sua ilusão entra em campo no estádio vazio. Numa torcida de sonhos, aplaude talvez. O velho atleta recorda as jogadas felizes. Mata a saudade no peito driblando a emoção. Mas pela vida impedido parou e pra sempre o jogo acabou, suas pernas, cansadas correram pro nada e o time do tempo ganhou

Almir Cordeiro;

Os deuses do futebol levam muitos atletas ao caminho da gloria através de lances que ficaram marcados para sempre. São momentos inesquecíveis, gols antológicos, partidas inebriantes, conquistas memoráveis, placas, troféus, fizeram com que muitos atletas registrassem seus nomes na história do futebol nacional e internacional como Pelé, Garrincha, Gilda, Sergio Alves, Messi e muitos outros que escreveram seus nomes, e que o tempo não apagara das lembranças dos torcedores. Porém, existem aqueles que marcaram muitos gols e terminaram registrados apenas em velhas e amareladas folhas de jornais ou livros de registros esportivos.
Um exemplo destas injustiças do futebol aconteceu com o ex-atleta do Ferroviário Atlético Clube, Almir Cordeiro Filho, que foi o maior artilheiro do Brasil em uma só partida.  Almir, 59 anos, natural de Itapagé, filho de Almir Cordeiro e Gerarda Ribeiro Cordeiro. Irmãos Helder Cordeiro Jornalista, Carlos Alberto Cordeiro Coronel da PMC, Francisco de Assis Cordeiro Tenente Coronel, Maria Helena Cordeiro Assistente Social.
 Iniciou sua carreira de atleta aos 13 anos no bairro de Antonio Bezerra, jogando pela seleção do colégio São Francisco onde foi artilheiro do intercolegial com 25 gols na década 70. Pelo seu desempenho foi convidado para jogar no GRAB (Grêmio Recreativo de Antonio Bezerra), onde calçou pela primeira vez uma chuteira. Depois de várias partidas e gols marcados foi convidado pelo Ferroviário Atlético Clube para compor sub-14 (antigo dente de leite).
Almir foi campeão várias vezes pelas categorias de base do Ferroviário como artilheiro. Em marco de 1973 a saudosa “TV CEARA canal 2” realizou a primeira transmissão de jogos de futebol ao vivo, diretamente do Estádio Presidente Vargas, entre Ferroviário e Apollo, neste jogo histórico Almir marca 3 gols pelo Ferroviário que ganhou o jogo 3x1. No ano seguinte a Secretaria de Educação e Cultura do Ceará juntamente com a Rádio Dragão do Mar de Fortaleza, promove o concurso “ Craque na Escola e Craque na Bola” Almir foi condecorado com a Jangada de prata pelos seus desempenhos na escola e na bola.
Emoção e tristeza.
 Saindo das categorias de base, Almir destacou-se no Juvenil, hoje sub-20, campeão cearense de 75 e 76 até ingressar no time profissional. Um detalhe histórico, Almir Cordeiro foi o único craque cearense até hoje a marcar 7 gols em uma só partida, no jogo Ferroviário 8 x 0 Guaranis de Sobral em 05 de maio de 1976 no Castelão, perdendo a artilharia do Brasil apenas para Pelé que marcou 8 gols em uma única partida.
 Depois de disputar os campeonatos cearense de 1977 e 1978 pelo time profissional do Ferroviário, foi emprestado para o time do Jequié, interior da Bahia, onde disputou o campeonato baiano. Depois jogou em vários clubes do nordeste, entre eles: Vitoria da Conquista, Lagoinha, Bahia, Potiguar de Mossoró, Maranhão, Guarani de Sobral, Icasa de Juazeiro, Quixadá, por fim retorna ao Ferroviário onde encerrar a carreira de atleta. Almir nos revela que “ Nessa época eu já estava querendo parar de jogar futebol, estava com problema no joelho direito e também queria forma uma família e sentia muita saudade dos meus pais, daí achei melhor encerrar a carreira”. Ele disse ainda: foi muito injustiçado no futebol, pois ficou no esquecimento e desabafa “ Ninguém lembrar daquele que deu tantos títulos ao Ferroviário. Eu estou muito magoado com o time do Ferroviário, pois para entrar no estádio Elzir Cabral para assistir um jogo, tive que pagar. Não foi reconhecido. Eu gostaria de chega na sede e ver minha foto na galeria dos ex-atleta, mais isto não tem. ”
 O ex-atleta se emociona ao pisar no granado no estádio do Ferroviário depois de 31 anos. Ao lado da equipe da Revista Antonio Bezerra.Com, ele relembrar os seus momentos de glória “ só vocês me fariam entra no túnel do tempo e reviver as jogadas felizes neste gramado, ainda me lembro do último gol marcado aqui. ” Disse o ex-craque com lágrimas nos olhos. Almir jogou ao lado de grandes craques do futebol cearense entre eles, Erandir, Pedrinho, Paulo Tavares, Edmar, Candido, Grilo, Lucio Sabiá, Flavio e Válber grandes jogadores da época. Foi trenado por grandes treinadores como: Coca-Cola, Gilvan Dias, Décio Leal, William Pontes e Alencar.
Ele nos relembra dos grandes campeonatos realizado no estádio Antony Costa, entre times como Tigre Real, São Joaquim, Rio Branco, Grab, Internacional, Leão das Tintas entre outros.
Almir Cordeiro Filho encerrou sua carreira aos vinte e sete anos em 1983, deixando pra trás um passado de glória. Hoje, o ex-atleta, esquecido pelos deuses do futebol e Funcionário Público Municipal de Fortaleza, trabalha no Frotinho de Antonio Bezerra no Departamento de Traumatologia, atua também na área de eventos no Marinas Parque.

         VALENTIM SANTOS
         Professor,Historiador e Sociólogo.




                            

sexta-feira, 14 de agosto de 2015



OTÁVIO BONFIM E SEUS
PERSONAGENS FOLCLÓRICOS.
 
Alguns tipos folclóricos e pitorescos do Otávio Bonfim, que foram motivo de gozação e de brincadeiras em um tempo que tudo era possível, onde um apelido era uma coisa normal. Hoje quando tudo e motivo de protestos, vale relembrar os personagens popular do saudoso bairro Otávio Bonfim”.
Durante sua existência, o tradicional bairro de Otávio Bonfim localizado próximo ao centro de Fortaleza, teve alguns “tipos” que foram agregados a sua história folclórica durante seu inicio de formação. Eles foram agregados e constituídos motivo de gozação e de brincadeiras entre meninos e adolescentes do saudoso bairro Otavio Bonfim, hoje bairro Faria Brito. Dentre esses personagens, encontramos uma mulher chamada pela meninada de Porronca – vivia perambulando pelas ruas do bairro, era “desaforenta”, andava em trajes molambudos, cabelos em desalinho e repletos de piolhos; exalava um mau cheiro, proveniente da sua total falta de banho e asseio corporal. Quando ela encontrava um grupo de meninos era uma “gaiatice! Eles a chamava de Porronca, ela de pronto chingava suas mães, enquanto os meninos em coro gritavam sem para seu apelido, ela levantava as vestes, expondo suas partes intimas, razão maior do divertimento da molecada mal-educado.
Outro personagem muito conhecido no bairro era outra mulher muito franzina, que perambulava pela praça da igreja de Nossa Senhora das Dores, presença constante na fila do Pão de Santo Antonio distribuído as terças-feiras pelos frades franciscanos. Seu apelido batizado pela molecada provinha de um cisto de glândula salivar, localizado no rosto, que conferia uma aparência de quem está com um caroço de macaúba na boca. Quando a meninada gritava “macaúba, macaúba, macaúba”, ela respondia com palavrões chulos, e jogava pedras sobre a meninada que saía em debandada, em plena gargalhada, para em seguida, se juntarem em uma nova investida contra a personagem insultando-a, ate que alguns adolescentes acabassem com a brincadeira.
Os moradores mais antigos talvez se lembrem de outro personagem, muito interessante que perambulava pela redondeza e sempre despertava curiosidade das pessoas. Ele era chamado de “Scania”, ele colocava um espelho de retrovisor nos ombros e saia andando como se fosse um caminhão, reproduzia, com a boca, o som de um veículo pesado. Com a mão dava inicio as marchas de aceleração, freava, produziam sons de buzina.
Em meados dos anos 70, apareceu no bairro uma mulher muito fogosa chamada de Odete Batalhão, sua residência ficava nas ruelas do beco dos pintos. Responsável pela iniciação sexual de alguns adolescentes da redondeza, a Odete tinha uma vocação exacerbada para pedofilia, não raras vezes sua casa era sempre repleta de garotos em busca de guloseimas, doces feitos pela própria para distribuir entre a meninada das circunvizinhança.  
Outra figura cômica para não chama de doida, era a “Maria Locomotiva”, uma mulher magricela que perambulava sempre perto do trilho. Nos horários da aproximação do trem que vinha da estação João Felipe com destino a Parangaba, ela ficava próximo do muro da saudosa fabrica Siqueira Gurgel, quando a locomotiva ficava paralelo ao muro da fabrica ela começava a correr ao lado da mesma em direção a estação do Otávio Bonfim, imitando o apito do trem, parando na estação, quando o trem saia, ela acompanhava o mesmo sempre correndo ate sumir para o lado da Av. Zé Bastos.
Hoje passados vários anos, muita coisa mudou, a Estação do Otavio Bonfim não existe mais, os trilhos que outrora passava os trens sumirão dando lugar ao asfalto. Os adolescentes cresceram tornaram-se chefe de famílias, e seus filhos já não brincam mais como seus pais brincavam, com certa naturalidade. Com o passar dos anos, foi-se adquirindo mais respeito com as minorias sócias, os direitos humanos são preservados. Os apelidos tão banais, no meu tempo de estudante do Liceu, já não existem, as brincadeiras em apelidar o povo bem ao estilo cearense, tão bem descrito em “Anedotas do Quintino” e “Ceará Gaiato” do saudoso Quintino Cunha são esquecidos pelas novas gerações. Hoje, apelidar, humilhar, gozar, discriminar, assediar, aterrorizar e todas as formas intencionais ou não, que as pessoas cometem contra as outras são denominadas de Bullying.     
Valentim Santos
Professor, Historiado e Sociólogo.