sexta-feira, 24 de abril de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
SAUDOSA E INESQUECÍVEL ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE ANTONIO BEZERRA.
O
projeto da construção da estrada de ferro ligando a cidade de Fortaleza a
cidade de Sobral passando pela cidade de Soure (antigo nome da cidade de Caucaia),
entre outras cidades do interior cearense, teve o contrato assinado em 15 de
Abril de 1872 pelos senhores Antonio da Cruz Guimarães e José Joaquim
Guimarães, com a Companhia da Via Férrea de Baturité, que fora inaugurada em 25
de Junho de 1870, administradas pelos Srs. Senador Pompeu, Joaquim Cunha
Freire, (Barão de Ibiapaba), Gonçalo Batista Viera (Barão de Aquiraz) além do
Engenheiro José Pompeu de Albuquerque e o Engenheiro Inglês Heney Brochhust,
mas este projeto não foi realizado por questões políticas.
Em
30 de Março de 1873, era inaugurada a estação ferroviária do Arroche. Na época,
era município, que acabou sendo anexado a cidade de Fortaleza nos anos
1920. Em janeiro de 1944 teve o nome alterado para Parangaba, por
determinação do CNG - Conselho Nacional de Geografia, sendo a segunda estação
ferroviária a ser construída, a primeira foi a João Felipe. Em 1909 foi
iniciado a construção da linha férrea norte de Fortaleza a cidade de Sobral,
publicada pelo decreto nº 9.657 de 10 de Julho de 1910. Trabalhos realizado
pela firma Inglesa “The South American
Railway Construction Company Limited ” O projeto original tinha a linha
férrea em sentido tangente que iria de encontro ao vilarejo do Tabapúa,
passando pela aldeia dos índios Tapeba, por estes motivos o projeto foi
modificado que teve que fazer um enorme contorno depois do Barro Vermelho, que
hoje e conhecido como “ Volta da Jurema”.
Em
25 de Agosto de 1915, a firma inglesa passa o comando administrativo para a RVC
(Rede Viação Cearense) que inicia a construção final da linha férrea Fortaleza
a Soure inaugurada em 12 de Outubro de 1917 com uma extensão de 19,600 km de
linha férrea. A Inauguração solene aconteceu na estação do Barro Vermelho,
batizada como o nome de “Mestre Rocha”, estiveram presente o diretor da R.V.C,
Engenheiro Henrique Eduardo Couto Fernandes, além de várias autoridades
políticas e religiosas. Estiveram presente à solenidade vários moradores do
Barro Vermelho entre eles Antonio Bezerra de Meneses, que inaugurou e estação,
em seu discurso solene agradeceu em nome dos moradores a construção desta
estação ferroviária que traria progresso ao Barro Vermelho. Somente em 1950 foi
concluída e estrada de ferro ligando Fortaleza a Sobral
O
prédio da saudosa estação Ferroviária do Barro Vermelho como ficou conhecida,
era em estilo colonial inglês. Ficava situado no final da plataforma atual. Era
composta de uma linha férrea que passava pelo lado esquerdo e outra pelo lado
direito que encontrava-se logo adiante, como e atualmente. Existia três compartimentos:
no primeiro, funcionava a sala do telégrafo, com janelas para cada lado; no
segundo ficava a bilheteria e administração da estação e o terceiro ficava o
deposito de cargas. Ao lado existia vários bancos de madeiras, o telhado era em
estilo tesoura onde existia um sino pendurado no teto no lado direito que
anunciava com fortes badaladas a chegada e saída dos trens. A cor da fachada
era sempre amarela com letras pretas identificando a parada, primeiro, Barro
Vermelho, depois Antonio Bezerra e logo acima a logomarca da RVC e depois
RFFSA. Não existia grades ou cercas a seu redor. Era tudo aberto.
Em
1957 a RVC passa a ser RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A), em 1996 passa para
RFN (Rede Ferroviária do Nordeste). Em 1988 com a criação da CBTU (Companhia
Brasileira de Trens Urbanos) são implantadas novas plataformas nas antigas
estações ferroviárias da capital. O prédio da nossa estação e demolido
impiedosamente para construção da atual estação. Já a antiga estação
ferroviária da Parangaba foi preservada através de movimentos de preservação
histórico e cultural. Foi Tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal em 18 de
janeiro de 2007, depois de várias ameaças de demolição. Já a nossa deveria ser
preservada e tombada, mas não existiu interesse de preservá-la por parte das
lideranças políticas e culturais do nosso bairro.
Hoje
a estação ferroviária de Antonio Bezerra e administrada pela METROFOR
(Companhia Cearense de Transporte Metropolitano de Fortaleza) o Metrofor e responsável
pela administração, construção e planejamento do sistema de metrô na cidade de
Fortaleza e sua região metropolitana.
Hoje
passado quase um século de sua inauguração, 98 anos de existência, muita coisa
mudou. Os transportes ferroviários evoluíram, o que antes eram trens a vapor
transformaram-se em trens elétricos, já estamos na era do metrô subterrâneo e
de superfície, já utilizamos modernos sistemas de interligações de transportes
urbanos. O progresso e as novas tecnologias modificam e ao mesmo tempo destroem
um passado nostálgico, quando uma simples chegada do trem era motivo de festa
nas vilas e cidades cearenses. A pequena estação ferroviária do Barro Vermelho,
hoje apenas estação de Antonio Bezerra, ficaram apenas lembranças esquecidas nos
registros da história dos transportes ferroviário. Ela teve seu papel na
formação inicial do nosso bairro, tendo sido um marco histórico referencial em
termos de transporte ferroviário do Ceará.
Valentim Santos.
Professor,
Historiados e Sociólogo.
Sr. AQUINO, UM HOMEM SEMPRE A FRETE DO SEU TEPO.
Relembrando os antigos moradores
da Av. Mister Hull, que foram testemunhas oculares de um passado nostálgico,
onde abrigou os primeiros moradores que foram marcos na história do nosso
bairro de Antonio Bezerra, que é o primeiro bairro para que chega a cidade de
Fortaleza e o ultimo para que sai da cidade para a zona norte. Destacamos entre
vários moradores um personagem que contribuiu para o engrandecimento do nosso
bairro, esquecido pelo tempo e pelas novas gerações.
Este homem sempre esteve a frete do seu tempo,
um sonhador, um idealista, um socialista, é sobre este homem que vamos
relembrar, sua trajetória, suas realizações e persistência.
Existiu
na esquina da rua Dr. Vale Costa com a Av. Mister Hull, onde hoje está
localizado um condomínio residencial, uma residência e ponto comercial de n
4915 pertencente ao Sr. Aurélio Uchoa de Aquino, mas conhecido como Seu Aquino.
Nascido na cidade de Lavras da Mangabeira em 1918, veio para a cidade de Fortaleza
em meados de 1930 para residir, em janeiro de 1957 comprar uma residência no
então Barro Vermelho onde passa a morar com a família. Em março de 1958 inicia
em sua residência um comercio de tecidos e alumínio, vale ressaltar, que foi a
primeira e única loja de tecidos do bairro até o presente momento. Sua casa era alta com duas portas grandes além
de duas janelas.
Dentro
da loja existia um balcão de madeira que dividia o espaço entre cliente e seu
Aquino que geralmente atendia seus fregueses com grande cortesia. Ao fundo da
loja existia três prateleiras de madeira, duas repletas de tecidos, onde
podia-se encontrar peças de Tricoline, Brim Inglês, Tergal, Chita, Mescla,
Popeline e Volta ao mundo, tecidos usados na época, além de uma variedade de
produtos e assessórios como zíper, botão, agulhas e uma variedade de linhas de
cores. Na outra prateleira era repleta de bacias, panelas de alumínio. Seu
Aquino tinha uma clientela dos mais variados bairros tais como Floresta, hoje
Padre Andrade, Casas Populares, (Henrique Jorge) Coqueirinho (Parquelandia)
Boatan (Parque rio Branco) e adjacência.
Seu
Aquino gostava muito de política partidária, sempre lia muito jornais e revista
além dos livros a maioria socialista. Homem de ideias marxista-leninista, era
simpatizante do Partidão como era conhecido os integrantes do PCB. Tive o
privilégio de conhecê-lo e discutir muitos temas políticos nacional e
internacional, era uma enciclopédia de conhecimentos de uma cultura fascinante.
Chamado
pelos conservadores de comunista. Chegou e ser preso pelos militares em 1965,
juntamente com outros simpatizantes do PCB no bairro, entre eles: Sr. João Lima,
Juarez, Antonio Silva e meu pai José Augusto além de outros. Foram libertos
horas depois pelo Dr. Ruy Farias.
Era
casado com D. Maria Hilza Botão de Aquino, deste casamento tiver os filhos:
Luiz Botão de Aquino, Roberto Botão de Aquino, Aurélio Botão de Aquino Filho,
Heloisa Botão de Aquino, Auriza Botão de Aquino, Marisa Botão de Aquino e Ivan
Boatão de Aquino.
Em
1973 Seu Aquino decide iniciar um novo tipo de comercio, vende sua casa para a
família Romcy e compra um imóvel residencial pertencente ao Sr. Expedito na rua
Tenente Queiroz esquina com a rua Coronel Joaquim Leitão, compra a sorveteria
EDU pertencente ao Sr. Carlos Eduardo, onde passa a industrializar sorvetes e
picolés. Posteriormente transformada em Sorveteria Suk Bom, atualmente tem o
nome comercial de Sorbetto que atua no mercado de sorvetes desde 1991, tendo
como seu fundador o Sr. Roberto botão de Aquino, que não por acaso tinha como
referência e herdado o gosto por essa atividade do seu pai Aurélio
Uchoa de Aquino, homem íntegro, do qual adquiriu valores morais e éticos
incontestáveis.
Em
2009 seu Aquino recebe a “ Comenda Barro Vermelho” concedida pelo Conselho
Comunitário de Defesa Social do Bairro, homenageando aos 70 anos de fundação do
bairro. Esta medalha e o reconhecimento daquelas pessoas que prestarão grande
serviço ao nosso bairro.
Em 27
de maio de 2010 seu Aquino veio a falecer, deixando um imenso vazio na vida política
e comercial do nosso Antonio Bezerra.
Valentim Santos
Professor, Historiador
e Sociólogo.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
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